Rosa Abaliac

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Depressão

O que é:
A depressão, também chamada de transtorno depressivo major ou depressão unipolar, é uma doença psiquiátrica capaz de causar inúmeros sintomas psicológicos e físicos. Existem vários tipos de depressão: distimia, depressão sazonal, reativa, atípica, minor, depressão pós-parto e a depressão em pacientes com transtorno bipolar. Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores.

Por muitos anos foi uma doença mal compreendida, o que provocou uma estigmatização dos seus portadores, que eram vistos como pessoas fracas e incapazes de se reerguer. Hoje em dia sabemos que a depressão não é algo que possa ser resolvido apenas com a vontade própria do paciente. Existe tratamento medicamentoso e psicológico específico para isso.

O transtorno depressivo pode surgir em qualquer fase da vida, desde a infância até a terceira idade. É uma doença tão comum que estima-se que 12% dos homens e até 25% das mulheres apresentarão algum grau de depressão ao longo de suas vidas.

Causa:
A doença parece ser provocada pela interação de diversos fatores, sejam eles orgânicos ou psicológicos.

1- FATORES ORGÂNICOS RESPONSÁVEIS PELA DEPRESSÃO

1.1 – Genética – Pessoas que possuem familiares com depressão (ou ate mesmo outras doenças psiquiátricas) apresentam maior chance de também desenvolverem a doença.

1.2 – Neurotransmissores – O cérebro humano depende de centenas de mediadores químicos para funcionar. Tanto a abundância quanto a falta de alguns neurotransmissores em certas partes do cérebro podem desencadear graves distúrbios psiquiátricos e neurológicos. A depressão tem origem no funcionamento anormal de alguns destes neurotransmissores, como a dopamina, serotonina, noradrenalina e GABA.

1.3 – Uso de drogas ou álcool – Drogas e álcool exercem seus efeitos através do aumento da liberação de dopamina no cérebro, o que provoca euforia e uma sensação agradável. O problema é que o uso repetido destas substâncias dessensibiliza o sistema da dopamina, fazendo com que o mesmo se acostume a elas. Por isso, pessoas viciadas precisam cada vez de mais drogas ou álcool para atingirem o mesmo grau de satisfação, podendo deixá-las deprimidas quando estão fora do efeito destas substâncias.

1.4 – Alterações do cérebro – Pacientes com transtorno depressivo crônica podem apresentar alterações na anatomia do cérebro, como reduções de volume do lobo frontal e do hipocampo. O funcionamento da área do córtex pré-frontal também pode ser diminuída durante a depressão.

1.5 – Doenças cerebrais – A relação entre o acidente vascular cerebral (AVC) e o surgimento da depressão tem sido cada vez mais estudada. E esta associação não ocorre apenas por abalos psicológicos devido as consequências do AVC. Outras doenças neurológicas também aumentam o risco de depressão, como: Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, epilepsias, tumores do cérebro e traumatismos cranianos.

1.6 – Doenças crônicas – Pacientes portadores de doenças crônicas também estão mais vulneráveis ao aparecimento da doença. As mais comuns são: diabetes, doenças cardíacas, hipotireoidismo, AIDS, cirrose, doença inflamatória intestinal, lúpus, artrite reumatoide, fibromialgia, entre outras.

2- FATORES PSICOLÓGICOS ASSOCIADOS À DEPRESSÃO

2.1 – Traumas na infância – Entre os traumas estão abusos (físicos ou psicológicos), falecimento de um ente próximo, agressões ou falta de afetividade por parte dos pais. Relações problemáticas com pais, irmãos e colegas são comuns em crianças e adolescentes com depressão. Muitos adultos depressivos relatam pouco envolvimento paterno e superproteção materna durante a primeira infância. Crianças que sofreram bullying também estão sob maior risco.

2.2 – Estresses emocionais
* Morte ou separação de pessoas amadas são fatores de risco importantes.
* Solidão ou falta de apoio social.
* Desemprego ou tensão financeira.
* Baixa autoestima.
* Problemas de convívio familiar ou social.
* Ter contato próximo e frequente com alguém deprimido também aumenta o risco de depressão.
* Dor crônica e doenças que deixam sequelas também podem levar à depressão.

2.3 – Depressão pós-parto – A depressão pós-parto é uma espécie de transtorno depressivo que atinge cerca de 10% das mães.
No primeiros 2 ou 3 dias após ter um bebê, muitas mulheres costumam apresentar um tipo leve de depressão pós-parto, chamada tristeza pós-parto ou melancolia pós-parto. Este quadro acomete até 80% das mães e se caracteriza por mau humor, irritação, dificuldades de concentração, insônia e crises de choro.

A melancolia pós-parto ocorre por alterações hormonais que surgem com o término da gravidez e por estresses psicológicos causados pela responsabilidade de cuidar de um recém-nascido, associado ao cansaço físico que a tarefa provoca. Na maioria dos casos, a tristeza pós-parto desaparece em no máximo 3 semanas. A depressão pós-parto é um quadro mais agudo. Dura mais tempo e apresenta sintomas mais severos.

Sinais e sintomas mais comuns:
* Tristeza na maior parte do dia.
* Sentimentos de desamparo, desesperança e medo, bem como de tédio e aborrecimento.
* Perda de interesse nas atividades diárias: trabalho, estudo, passatempos anteriores, lazer, atividades sociais ou sexo.
* Perda na capacidade de sentir alegria e prazer, associado a falta de sentido na vida.
* Pessimismo.
* Alterações significativas no apetite ou no peso.
* Alterações do sono: insônia, especialmente acordar nas primeiras horas da manhã, ou dormir demais.
* Irritabilidade ou inquietação.
* Choro fácil.
* Perda de energia. Cansaço fácil, desânimo, lentidão ou esgotamento físico.
* Voz baixa e/ou muito lenta, assim como diminuição do desejo de falar.
* Auto-aversão: fortes sentimentos de inutilidade ou culpa. Indecisão constante.
* Problemas de concentração, raciocínio lento e esquecimento.
* Dores inexplicáveis. Um aumento do número de queixas físicas, como dores de cabeça, dores nas costas, dores musculares, dor de estômago e pressão no peito.
* Apatia, falta de motivação e vontade.
* Desespero, angustia
* Desejo de morte, planos suicidas ou pensamento associados ao fim do mundo.

Diagnóstico: 
O diagnóstico desta doença depende do relato do próprio paciente, mas em algumas situações seus familiares também são chamados a falar. Pode ser realizado tanto por médico (geralmente psiquiatra) quanto por psicólogo.

O requisito principal para o diagnóstico exige que os sintomas sejam graves o suficiente para interferir nas atividades diárias do paciente, na capacidade de cuidar de si mesmo e manter relacionamentos. Também requer que os sintomas estejam ocorrendo diariamente durante pelo menos duas semanas.

Não existem exames para detectar a depressão, mas um eletroencefalograma, tomografia do crânio e exames de sangue devem ser realizados para descartar outras hipóteses que causam sintomas semelhantes.

Tristeza X Depressão:
Todos nós sentimos e passamos por altos e baixos no nosso humor. A tristeza é uma reação normal e esperada para muitas situações, como a morte de um ente querido, o fim de um relacionamento amoroso, perda do emprego, uma doença… É completamente normal o indivíduo passar alguns dias ou semanas tristes após situações de perda, decepção, raiva… Isto não é considerado um transtorno depressivo major.

Para ser depressão o quadro de tristeza tem que ser prolongado e acima do normal, sendo suficiente para interferir nas atividades diárias da pessoa, reduzindo a capacidade de cuidar de si mesmo, atrapalhando relacionamentos, prejudicando suas atribuições profissionais, etc. Portanto, a tristeza é um dos sintomas da depressão.

Na tristeza, a pessoa apresenta melhoras ao longo do dia, conseguindo esquecer por momentos a causa que a levou a ficar triste. Na depressão, o sentimento é contínuo.

É bom esclarecer que o paciente deprimido nem sempre apresenta para os amigos e família aquele clássico comportamento de tristeza excessiva.

Outra diferenciação importante é que a tristeza sempre tem uma causa, a depressão não necessariamente. Obviamente, o falecimento de uma pessoa próxima pode desencadear um transtorno depressivo, mas nem sempre situações tristes precisam ocorrer para o início do quadro depressivo.

Tratamento:
O tratamento da depressão major deve incluir medicamentos antidepressivos e psicoterapia.
Estudos mostram que este tratamento combinado é mais efetivo que o tratamento com apenas uma das duas opções.

A psicoterapia tem um efeito mais relevante a longo prazo do que a medicação, pois ajuda o paciente a desenvolver novas formas de enfrentamento dos sintomas, bem como uma maior capacidade de racionalizar e se adaptar aos problemas da vida.

Em paralelo a estes dois tratamentos, recomenda-se a prática de atividades físicas, uma dieta equilibrada, a regularização do sono e o cultivo dos laços sociais e familiares.

A terapia eletroconvulsiva ainda é utilizada em casos específicos. Quando o paciente é um risco para si próprio, pode ser considerado o internamento hospitalar involuntário.