Rosa Abaliac

Conviver Bem

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Ansiedade

O que é:

A ansiedade caracteriza-se por uma preocupação antecipatória – excessiva e recorrente – sobre algo que poderá acontecer. Pode ser algo que você deseja muito ou algo que você receia que aconteça. A sensação de ansiedade, ou seja, um estado emocional de apreensão – acontece com todos os indivíduos em maior ou menor grau. Dentro de certos limites, a ansiedade constitui um recurso valioso para adaptação e evolução e ajuda as pessoas a preverem situações e encontrarem soluções positivas. Quando a apreensão atinge um valor extremo e atrapalha o funcionamento saudável da vida das pessoas, ela passa a ser patológica.

Medo X Ansiedade

O medo é uma resposta automática/instintiva do organismo contra um perigo iminente à segurança de uma pessoa, ou seja, é uma resposta neurofisiológica para um evento pontual. Por exemplo, se sua casa começar a pegar fogo, é natural que você se apavore com a situação e tenha medo de morrer asfixiado. Já a ansiedade é totalmente diferente, seguindo este exemplo, é você viver constantemente preocupado pela remota possibilidade de um dia acontecer um incêndio no lugar que mora. Por conta disso, você passa a verificar várias vezes por dia o gás e outros comportamentos que até podem parecer precavidos, mas que são o começo de uma ansiedade crônica. O medo é um dos constituintes da ansiedade, mas existem outros como: aversão a uma situação ou objeto, desamparo, dúvidas/incapacidade de escolher, idealizações sobre o futuro…

Origem:

A ansiedade patológica pode ter, de um modo geral, três origens:

– A Doença Física (por exemplo, o hipertiroidismo), tratando-se neste caso duma “ansiedade secundária” que desaparece após o tratamento adequado;

– As Perturbações Ansiosas propriamente ditas (a ansiedade generalizada, as crises de pânico, as fobias, a perturbação obsessivo-compulsiva ou a síndrome de estresse pós traumático);

– Outras doenças mentais que não as acima referidas e que também aparecem frequentemente acompanhadas por ansiedade intensa (tais como a depressão, as psicoses e a perturbação maníaco-depressiva);

Não existe um fator exclusivo que explique o aparecimento de determinada ansiedade, pois na grande maioria elas são uma junção entre fatores de natureza biológica e psicológica (acontecimentos externos e conflitos internos).

Tipos de ansiedade:

* Estresse Pós Traumático:

A pessoa que sofreu um trauma sofre com a possibilidade de reviver essa experiência dolorosa.

Exemplos: quem sofreu um ataque cardíaco pode começar a desenvolver um estado ansioso frequente ou toda vez que sentir algum sintoma físico. Quem foi assaltado pode ter medo de sair na rua sozinho. Quem teve um acidente de carro pode ficar ansioso sempre que entrar em um carro novamente. Os sintomas incluem o reviver persistente do acontecimento traumático (através de imagens, pensamentos ou sonhos recorrentes), evitamento persistente de estímulos associados com o trauma e sintomas como: insônia, irritabilidade, dificuldades de concentração, hipervigilância. Em geral, a ansiedade diminui depois do primeiro mês do evento traumático. Se os sintomas persistirem por mais tempo é recomendado o tratamento psicológico.

* Distúrbio de Ansiedade Generalizada:

Preocupação excessiva e crônica sobre diversas coisas da vida simultaneamente. Muitas vezes o problema começa em uma área específica e vai se alastrando para o resto. Esse tipo de ansiedade é progressiva. Por exemplo, um trabalhador que está preocupado com uma possível demissão, pode apresentar problemas de relacionamento com os filhos, desencadeado do pensamento “como vou conseguir sustentá-los”, com a mulher “será que ela vai me dar o apoio que preciso”, com os colegas de trabalho “espero que seja eles e não eu”. A ansiedade, que deveria ser pontual, passa a dominar a vida como um todo e qualquer pequeno problema do dia a dia passa a ter uma relevância desproporcional.

* As Fobias

Caracterizam-se pelo medo excessivo e irracional face a um objeto ou situação (animais, alturas, espaços fechados, multidões, etc.).

* Síndrome do Pânico

São ataques de pânico repetidos sem uma causa aparente ou justificável, caracterizado por um período de medo intenso ou terror, associado frequentemente a um sentimento de morte iminente, acompanhado de sintomas como falta de ar, palpitações, dor no peito, suores frios, confusão mental, vômitos, que se iniciam subitamente. O medo dos ataques de pânico se repetirem invade o espaço mental das pessoas que sofrem desta perturbação.

* Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

É definida pela presença de ideias, pensamentos, impulsos ou imagens impossíveis de controlar. As pessoas que sofrem com isso sentem-se invadidas por esses pensamentos intrusivos e inapropriados e que causam forte ansiedade ou mal-estar. Alguns exemplos são: necessidade de lavar as mãos repetidamente, rituais específicos antes de dormir, contar os objetos antes de fazer algo, necessidade absoluta de ordenar tudo, pensamentos agressivos repetidos, imagens sexuais recorrentes, etc.).

Sintomas mais comuns:

Irritabilidade, dificuldade em concentrar-se, inquietação, indecisão permanente, dores de cabeça, fadiga, insônia, distúrbios alimentares, humor deprimido, pensamentos repetitivos, falta de ar, dor no estômago, síndrome das pernas inquietas, suor frio, palpitação, tricotilomania (arrancar os próprios cabelos ou pêlos do corpo), roer unha, tensão na cervical, dores musculares, tremores, hipervigilância e procrastinação.

Diagnóstico e Tratamento:

O diagnóstico tem, obrigatoriamente, de ser feito por um psicólogo ou psiquiatra. A importância do diagnóstico correto é a adequação da forma de intervenção psicoterapêutica e medicamentosa (quando necessário). Dependendo do tipo e da intensidade da ansiedade, é mais indicado o uso de psicofármacos no começo e, quando começarem a fazer efeito, inicia-se o processo psicoterápico.