Rosa Abaliac

Conviver Bem

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Sawabona e Shikoba

Existe uma tribo no norte da África do Sul, especificamente na província de Natal, que tem uma tradição muito bonita. Se qualquer um, incluindo crianças, fizer algo errado ou que prejudique a comunidade, eles levam essa pessoa para o centro da aldeia – um lugar místico usado para este ritual.

Toda a tribo faz uma roda em volta dela e começam a falar todas as coisas boas que ela já fez na vida. Todos têm a oportunidade de falar; ressaltando os pontos positivos, relembrando histórias que já viveram juntos, expondo porque consideram esta pessoa importante. Acredite ou não, este ritual pode durar até 2 dias sem interrupção.

No final, todos fazem seus votos de felicidade, amor, paz e prosperidade. Eles perdoam a pessoa ao mesmo tempo que demonstram que o amor que tem por ela, é maior do que qualquer falha. Isto acontece porque eles acreditam que o erro cometido é um pedido de ajuda, quanto mais grave for o erro, maior é a demanda de atenção da pessoa que o cometeu.

É neste momento, portanto, que eles precisam estar mais unidos do que nunca, para fazer com que esta pessoa volte a se reconectar com a sua verdadeira natureza. “Você é bom! Você nasceu bom e é na bondade que deve viver”. É a frase dita por eles.

Uma possível tradução de SAWABONA é: “Eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante pra mim”. Em resposta a pessoa que está no meio da roda diz SHIKOBA: “Então, eu existo pra você”.

Se já é difícil a gente lidar com os próprios erros quando recebemos carinho e apoio da família e amigos, imagina superá-los recebendo críticas ou punições? Há também aqueles que gostam de lembrar o tempo todo dos nossos erros, não é mesmo? Fomos ensinados desde crianças que “errar é humano”, mas, paradoxalmente, vivemos em uma sociedade intolerante aos erros.

Crescemos nos culpabilizando a cada resposta errada, a cada nota baixa na prova, a cada queda, e assim vai… Podendo chegar ao extremo de não nos perdoarmos e ficarmos em uma eterna culpabilização. Este ritual da tribo sul africana diz da possibilidade de encarar os erros por  uma perspectiva mais humana.


Autora: Rosa Abaliac (CRP 06/11.5830)

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rosaabaliac • setembro 20, 2016


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